Jesus é travesti

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E se Jesus nascesse nos dias atuais e viesse ao mundo no corpo de uma travesti? Como que seria?

Talvez você ache que isso é loucura, invenção, uma blasfêmia. Mas esse é o enredo da peça “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, que vem causando polêmica por onde passa.

Recentemente a peça iria ser apresentada durante o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), mas por determinação do Tribunal de Justiça desse estado a peça não foi apresentada com dinheiro público.

Tudo isso depois de várias pedidos e liminares na justiça.

A peça gera polêmica por onde passa. Em 2017 foi proibida também pela justiça da Bahia de ser apresentada durante o Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC), no Espaço Cultural da Barroquinha.

Protagonizada pela atriz Renata Carvalho, que é transexual, a montagem questiona o que aconteceria se Jesus voltasse ao mundo na pele de uma travesti.

Na montagem, histórias bíblicas conhecidas são recontadas em uma perspectiva contemporânea, propondo uma reflexão sobre a opressão e intolerância sofridas por transgêneros e minorias em geral. A peça é de autoria da dramaturga britânica Jo Clifford.

Agora, por que será que a peça tem sido tantas vezes questionada, e muitas vezes impedida de ser apresentada pela justiça em festivais públicos?

A resposta é apenas uma: “crentes” não aceitam Jesus sendo retratado como um travesti.

Por que não? Se Deus nos fez à sua imagem e semelhança, por que só a imagem e semelhança de homens héteros?

Por que Jesus precisa ser um homem branco de olhos azuis? Estranho não?!

Falamos tanto em tolerância, mas não aceitamos que alguém pense diferente de nós, e retrate Jesus de outra maneira.

Antes preciso explicar que a peça não está dizendo que Jesus foi travesti. Ela na verdade é uma critica social, um modo de pensar: e se?

E se Jesus viesse ao mundo como travesti, como ele seria tratado?

Afinal, se Deus é o todo poderoso, poderia muito bem fazer seu filho vir ao mundo como uma mulher que nasceu homem, por que não?

Não sei você, mas na minha época de escola minha professora de religião costumava dizer que Deus se disfarçava de outras pessoas para saber quem realmente somos, e se merecemos ir para o céu.

O maior exemplo da minha professora era um mendigo que tocava na campainha pedindo esmola. Ela dizia que às vezes podia ser Deus vendo quem realmente éramos, se estávamos dispostos a ajudar a quem precisa.

Pois bem, e se Deus mandasse seu filho vir ao mundo como uma travesti só para testar você? Só para saber do que você é capaz?

Não sei como você reagiria, mas tenho certeza que muita gente ia direto pro inferno fazer companhia ao nosso querido Lúcifer.

Como sei disso? É que essa peça tem gerado tanta polêmica que muitos “cristãos” tem lutado contra ela, dizendo que é uma blasfêmia, que quem compactua com isso vai arder no fogo do inferno, que não existe essa de Jesus ser travesti, e que com Deus não se brinca.

E se isso for apenas um teste? Você passaria?

Agora a coisa mais importante: sua FÉ é tão fraca assim que basta alguém dizer por aí que Jesus é travesti que você já fica todo sentido?

A mim isso não incomoda, talvez você saiba a minha religião, e não fico nem um pouco magoado quando alguém não concorda comigo.

Porque sei no que acredito!

Não me afeta alguém dizer que meu pensamento está errado. O que penso é que devemos ter liberdade de crença, de acreditar no que quisermos.

Acho que você não sabe, mas a bíblia é considerada um livro de ficção. E não importa se você acha que a história dela realmente aconteceu, ainda sim ela continua sendo um longa história de ficção.

Portanto pode ser recriada, ter uma nova roupagem, mudar um pouco os personagens. Isso não é machucar religião, aliás isso de “machucar religião” sequer deveria existir.

Porque existem muitas religiões, com histórias diferentes, ninguém precisa acreditar na história do outro.

“Ah, mas retratar Jesus como travesti é muito errado, não posso aceitar isso, preciso ir xingar muito no Facebook e impedir que a peça acontece.”

Bom, se você pensa assim precisa entender que ninguém é obrigado a sair de casa para assistir algo que não quer. Não gosta do enredo? Não assista!

Mas deixe quem quiser ir, que vá. Se realmente eles estiverem fazendo algo errado, e seu Deus realmente existir, então eles irão arder no fogo do inferno.

Antes lembre que seguindo a história de ficção da bíblia, Jesus costumava andar com pecadores. Não se esqueça que ele defendeu Maria Madalena, uma prostituta.

Então preocupe-se com a sua parte. Jogar ódio nos outros não vai melhorar o mundo, lembre-se disso.

Se você fica incomodado quando alguém diz que Jesus é travesti, deveria aprender a ter mais fé na sua “religião”.

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