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Sim, amigos, o pior que poderia acontecer, aconteceu: estou completamente apaixonado por uma moça da igreja. Arreieiado os quatro pneus, e nem sei se ela ainda é moça, mas profetiza o evangelho.
Talvez você me pergunte: ‘Mas, Fernando, como deixaste isso acontecer?’ E eu te direi: como poderia evitar?
Num mundo dominado pelas redes sociais, ela postou uma foto malhando e marcou o perfil da academia, que a repostou. Eu, como se ficcionado numa loucura insana de conhecer e deleitar meu corpo com uma ratinha de academia, ficava indo nos perfis das mulheres repostadas.
Numa terça-feira qualquer, ao abrir meus stories naquele looping infinito de corpos e moças sedentas por atenção, vi ela, minha musa, tirando uma foto diretamente do espelho da academia. A sigo, por enquanto, só no mundo virtual.
Vejo como ela é gostosa. Peço perdão pelo termo, mas não encontro outro adjetivo mais apropriado. Descubro, ainda, que é inteligente, formada em astronomia e professora de uma grande escola.
Penso logo: ‘Finalmente achei! Posso, desde então, me tornar monogâmico e seguir meu sonho de ter dois filhos com os nomes que sempre quis.’
Mas aí resolvo olhar seu feed completamente. E, entre fotos na praia, onde não se pode ver seus glúteos, mas se imagina o tamanho da abundância, vejo uma imagem dela na igreja. Vejo uma, duas, e várias outras.
Passo, então, a acompanhar obcecadamente essa moça (que talvez nem seja moça) de cabelos vermelhos (provavelmente tingidos). Todo dia, religiosamente, ela posta uma mensagem bíblica nos stories para começar o dia, muitas vezes um salmo, e só consigo lembrar do Salmo 12: ‘Salva-nos, Senhor, porque faltam os homens bons; porque são poucos os fiéis entre os filhos dos homens.’
Ah, como queria ser fiel a esta mulher. Mas ela é uma mulher da igreja, e eu apenas um pecador conformado.
Então, como um bom homem, a convido gentilmente para sair (pelas redes sociais, é claro, pois é o único lugar onde a vejo), e ela diz que já tem alguém.
Sigo minha vida! Encontro-a algumas vezes na rua, na academia, e até em eventos de educação, mas lembro-me sempre: ela não é pra mim, pobre pecador.
Passa-se o tempo, e não a esqueço. Alguns diriam que sou emocionado, eu acredito que esteja obcedado pela ideia de ter uma mulher daquele porte (de beleza e inteligência) em meus braços.
Aí, num dia qualquer, vejo que ela gosta bastante da Lua. Resolvo, então, dar a Lua para ela. E não metaforicamente. Compro uma luminária em formato de Lua e mando entregar no trabalho dela. Quantos homens podem dizer que deram a Lua à sua amada?
Ela recebe, identifico-me quando oportuno, ela agradece, mas diz que não está aberta para relacionamentos no momento e que está conhecendo alguém. Desejo felicidades, mas, por dentro, só desejava que fosse mentira.
No fundo, pergunto-me se o problema é não ser da igreja dela, ou sequer ser de igreja alguma. Será minha aparência, ou Deus, se ele existir, tem algo diferente reservado para mim?
Abro seu perfil hoje, ela continua linda. Mando mensagens bonitas para ela, mas tudo não passa de tempo perdido em busca de algo que nunca poderei ter (será?). Será.
Ao mesmo tempo, imagino que, se ela me desse a oportunidade inenarrável de estar a seu lado, será que eu a acompanharia todo domingo até a santa missa? Será que o amor poderia me catequizar?
Não sei. Sei apenas que estou apaixonado (obcecado?!) pela moça da igreja, e este é mais um de meus pecados.
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